Quando dedicamos algum tempo da nossa vida à prática, constatamos que boa parte daquilo que aprendemos através dos modos teóricos convencionais não se aplicam.
Observo que a maioria das coisas que realmente aprendi para nunca mais esquecer são aquelas que não me foram explicadas, mas sentidas. A sabedoria vem da experiência.
Nunca me esqueci de um lugar na roça, no meio do pomar, onde eu e o meu irmão literalmente mergulhávamos para pegar minhocas para o meu avô pescar, e que a gente punha essas minhocas na latinha de extrato de tomate do elefante ou de marmelada da cica, cuidadosamente abertos e lixados pelo meu avô. Jamais tive medo ou nojo de minhocas como as crianças com as quais trabalho, e soube desde sempre que a terra onde elas moram é fofinha e escura.
Assim soube antes e melhor de concluir o curso de Agronomia que as minhocas faziam terra boa (e não queria saber de níveis de matéria orgância e nitrogênio ou porosidade do solo).
As coisas que aprendemos por meio dos sentidos são dificilmente esquecidas. Cheiros, cores, tato, vivências.
Assim, qualquer forma de educar deveria passar antes pelo viver, e só então ser transferido para teoria. Primeiro deveríamos escrever nossos sentidos a partir da experiência e então deixar virem os "porquês". Porque a terra onde tem minhocas é fofa?
Quando falamos de educação ambiental fica mais clara essa necessidade de experiência e de extrapolar o ensino de ecologia das salas de aula. Explicar nichos e relações entre as plantas e animais não inclui o homem, e isso transmite idéia de que não fazemos parte desta relação. Estamos distantes e por isso o que se passa na natureza não nos afeta. É preciso que se sinta parte da natureza, dependente dela.
O ato de observar e praticar na natureza traz aprendizagens que extrapolam o campo das ciências. Todos nós, e especialmente as ciranças, aprendemos muito através de métodos subjetivos.
Semear, cuidar, colher frutos e vivenciar o declínio e morte de uma plantinha nos habitua com os ciclos naturais da vida. Com tempos que se encerram ou pessoas que se vão. A capacidade de sempre haver uma nova sementinha não traz o desespero de "fim", mas sempre recomeço.
Segue um trecho de Michael Albeman, retirado do livro "Alfabetização Ecológica" de Fritjof Capra e outros:
"O processo de cultivar alimentos é concreto. ele dá uma noção clara e imediata de como nossos atos afetam o mundo. O ato de cultivar plantas oferece metáforas importantes da vida, tornando os cilco de nascimento e morte palpável, porque pode ser visto diretamente, ano após ano. O cultivo da terra proporciona um sentimento de realização e poder pessoal. Conversas e explicaçòes se tornam desnecessárias, uma vez que as crianças entendem institivamente o que estão aprendendo quando cultivam plantas".
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