segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quanto vale a natureza?

Sabemos que o mercado de crédito de carbono (aquele onde as empresas ou países que emitem menos dióxido de carbono do que a meta proposta pelo Protocolo de Kioto, vendem seus excedentes para outros países ou empresas que necessitem da permissão para "poluir" mais) é uma fatia cobiçada e altamente rentável no mundo dos negócios. Estudiosos do mundo inteiro desenvolveram rapidamente uma maneira de se calcular de forma precisa a quantidade de dióxido de carbono emitida por qualquer atividade. Inclusive websites calculam pra você quantas árvores são necessárias replantar para "absolver" ambientalmente seus hábitos pessoais.
Chegamos uma vez mais na mercantilização de tudo. Plantam-se árvores para compensar o carbono, não se cortam os ipês porque a multa é onerosa (e não porque tem flores amarelas), cuidam-se das nascentes para envasar água de qualidade.
Concordo plenamente que o dinheiro seja uma forma eficaz de controle. Mas usado como "pena" ou "lucro" mascara o problema. Tratemos sim de utilizá-lo para fins ecológicos, mas de outra maneira.
Vale escolher melhor os produtos quando vamos ao supermercado. Vale escolher embalagens menos poluentes (como as de vidro), vale escolher produtos orgânicos ou aqueles de origem local.
A incrível matemática que calcula quanto vale a natureza, a caracteriza como sistema linear, mensurável e quantificável. E de forma simples, em planilhas de excel. Toma lá da cá, basta colocar a fórmula e o cálculo já vem direto.
A sensibilização e amor pela natureza mostram resultados mais eficientes a longo prazo. Um Van Gogh tem valor inestimado. Não se compra uma bailarina para exibir na sala de estar. É como o clichê "vender sua mãe". Poucos acreditam, mas quando a mágica de transformação de uma sementinha em um Jatobá gigante através de muitas gerações, for visto como arte, imensurável, então estaremos um degrau acima...

Paula Terra

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